[Valid RSS] [Valid RSS] Lendas Artes e Literatura Góticas

18 abril, 2014

O Mausoleu...


“Você não me conhece, mas eu te conheço muito bem, meu nome é Romeu e sou da policia federal.” – disse o homem mostrando uma identificação.
Ele congelou da cabeça aos pés, sabia que ai viria problema e ele provavelmente seria preso. Seu ultimo trambique foi genial, ele roubou todo o dinheiro de uma mulher casada depois de seduzi-la e jurar amor eterno, supostamente estavam roubando o dinheiro do marido e iriam fugir, porém ele fugiu só deixando-a de mãos vazias.
“Não se preocupe, não vim te prender. Eu sei que você é um dos melhores trapaceiros da cidade, pois já venho te investigando há algum tempo. Acontece que estou planejando minha aposentadoria e tenho um plano que pode tornar meus sonhos e os seus em realidade.” – respondeu Romeu.
“Vamos entrar para termos mais privacidade.”
Os dois entraram na casa e o plano foi explicado para Mario que achou tudo muito simples, mas deveria funcionar e acabar de vez com seus dias de trapaça, pois o esquema envolvia muito dinheiro. Romeu falsificaria vários documentos dentro da policia e Mario se passaria por um milionário que iria ao banco para transferir dinheiro para o exterior. Se tudo desse certo eles transfeririam o dinheiro para várias contas em diversos países, o que deixaria quase impossível de rastrear e os dois passariam o resto de suas vidas em férias.
Alguns dias se passaram e o momento do golpe chegou, Mario foi ao banco e seguiu todas as instruções de Romeu. Duas horas depois a transferência foi confirmada. Ele saiu do banco contente, sua vida iria mudar. Entrou em seu carro e foi dirigindo em direção ao aeroporto por onde escaparia para a Europa e depois que ele estivesse com o dinheiro na mão decidiria para onde ir. Ele parou em um sinaleiro onde foi abordado por Romeu. Mario abriu a porta confuso, pois supostamente Romeu deveria estar no aeroporto a sua espera.
“O esquema foi por água abaixo, te descobriram e estão te procurando por toda a cidade, você tem que se esconder e rápido, a policia federal esta em massa no aeroporto.” – explicou Romeu. O coração de Mario disparou, o medo tomou conta de seu corpo tremulo.
“-Não pode ser, aonde vou me esconder? Eu não tenho pra onde ir”
“-Comigo não vai ser, pois eu não vou em cana com você. Pensando bem, minha família tem um mausoléu no cemitério no centro da cidade, se você tiver coragem posso te levar lá pois tenho a chave. A tumba de baixo da sala principal é grande e você pode ficar escondido por um tempo, se você não se importar de passar um tempo com meus familiares já mortos.” – disse Romeu com um sorriso sombrio.
“Acho que não tenho escolha.” – respondeu Mario.
Eles chegaram ao cemitério em minutos e Romeu levou Mario até o lugar. O mausoléu era enorme e muito bonito, deveria pertencer á uma família com muito dinheiro, pois custavam muito caro. Romeu abriu o portão e eles entraram, Mario notou que no chão havia uma porta que dava para a parte de baixo onde os corpos ficavam armazenados em gavetas. Romeu retirou o cadeado e abriu a porta.
“-Entra ai, no final do corredor tem um disjuntor onde você liga a luz. Mais tarde eu volto e te trago comida.” – disse Romeu.
Mario pegou uma lanterna que estava no do lado da porta e foi entrando, seu rosto estava todo suado, seu corpo tremia, ele não queria entrar ali, pois tinha muito medo, porém sabia que não restava outra opção. Quando entrou na sala olhou para as gavetas onde os corpos ficavam e se apavorou, gritou e correu em direção a porta para sair de lá, provavelmente a cadeia era melhor do que aquele lugar sombrio. Ele se surpreendeu quando olhou para a porta e viu Romeu não estava mais lá, a porta se fechou com força, o eco do metal dentro da sala o deixou tonto por alguns segundos e quando retornou a si começou a bater na porta e gritar por Romeu. O terror foi tomando conta de seu corpo até que ele desmaiou.
Horas depois ele acordou do susto, seu corpo doía pela queda da escada quando desmaiou. A luz que vinha da lanterna agora estava fraca e quase não iluminava mais. Mario chorou, estava com medo, dor e fome. Ficou imaginando se seu parceiro iria regressar ou iria deixá-lo para morrer nesse lugar tenebroso e ficar com todo o dinheiro. O ar da sala estava ficando pesado, ele sentia que não havia muito oxigênio restante. Ele se levantou e começou a olhar as portas das gavetas onde ficavam os corpos. Olhava o retrato e o nome, notou que muita gente foi enterrada ali e o mausoléu era antigo. Percebeu que duas fotos em duas gavetas eram bem recentes, pois as fotos eram novas e foi conferir. Seu grito uma vez mais soou pelo mausoléu, o terror do que tinha visto o fez urinar. As gavetas tinham o nome Romeu Castilho e Amanda Castilho. Amanda foi a mulher que ele roubou todo o dinheiro em sua ultima trapaça e Romeu seu suposto parceiro. Mario não sabia que ela tinha morrido e estava confuso, ele escutou um barulho de papel, olhou para o chão e viu que estava pisando em um pedaço de jornal. Ele pegou o papel e viu a foto do casal, o titulo dizia: Marido mata esposa e se suicida quando soube que foi roubado. Mario grita uma vez mais, pois sabia que ninguém viria resgatá-lo. O golpista levou o golpe final.

(Autor desconhecido)

13 janeiro, 2014

As várias faces do estilo gótico


Os teóricos da literatura empregaram muito tempo em delimitações temporárias e subcategorizações da novela gótica. Como o representado por Walpole e Sophia Lee, diferenciado pela falta de explicação aos fenômenos sobrenaturais. O Gótico Ilusório de Ann Radcliffe; onde tudo encontra uma explicação racional. O Gótico Satânico, representado por Mathew Gregory Lewis; onde o explicável e o inexplicável se misturam e os fatos se apresentam de forma rude, sem uma prévia aclimação ao terror. Este segmento também foi continuado por Maturin. Há ainda o Realismo Negro, Gótico Filosófico ou Didático Gótico, marginal ou como uma paródia. Assim, limitando-se com freqüência ao século XVIII e princípios do XIX, com o qual unicamente Walpole, Radcliffe, Maturin e Lewis destacam na lista. Para outros, a acepção é muito mais ampla e inclui à prática totalidade dos grandes autores da literatura ocidental, mesmo na poesia dos mestres do Pré-Romantismo, do Romantismo e Ultra-Romantismo. 
Da cripta da mente humana saíram as obras mais gloriosas:Hamlet, Fausto, A divina comédia e uma infinidade mais. Obras muito diferentes entre si, mas com o elemento comum de ser uma reação oculta (ou não), inconsciente (ou não) do autor contra seu meio. Devido às características de estilo de um tipo de obra que exige concentrar ao máximo a essência emocional e vivencial do autor (ainda que transmutada até o irreconhecível), junto com o fato de que os elementos simbólicos que aparecem nela são comuns ao subconsciente de todos nós, a novela gótica se caracteriza por sua capacidade para captar o atendimento e induzir a mais profunda concentração ao leitor, por penetrar em seu cérebro e mostrar-lhe seus próprios fantasmas e desejos. 
Chris Baldick, em sua introdução The Oxford Book of Gothic Tales, assinala magistralmente: "Em sua estrutura podemos reconhecer os porões e criptas do desejo reprimido, os devaneios e campanários da neurose, o mesmo ao aceitarmos o convite de Poe para ler o Palácio Assombrado, tanto do poema como da alegoria da mente de um louco". 
Os elementos sobrenaturais e de fantasia são tão inerentes ao gênero humano que suas primeiras obras literárias (por não falar de suas crenças) são estritamente fantásticas. Realmente se pode apreciar que entre A Odisséia e O Senhor dos Anéis decorreram mais de dois mil anos? A forma narrativa da fantasia mudou um pouco, só um pouco. Também se diversificou e num mesmo tempo aparecem diferentes correntes, mas as motivações e os elementos utilizados (à grosso modo), são idênticos. Para o leitor, a principal motivação é ausentar-se de seu aborrecedor mundo. Mas para isso, alguns elementos são necessários: 

Ambientes DesconhecidosLugares e épocas passadas ou inexistentes que não possam recordar-nos nosso presente (ambientação na Idade Média durante o século XVIII. No final do século XX em planetas desconhecidos, naves espaciais, épocas futuras, mas também em épocas passadas). Quanto mais viagens, sejam geográficas ou cronológicas, melhor será. 

Personagens Fascinantes: Personagens sempre inteligentes, enigmáticos e misteriosos, conscientes de sua culpa e atraentes. 

Romantismo : Este ponto precisa de exemplos? 

Perigo Presença obrigatória. O perigo sempre está presente através do terror. 

Garotas em apuros  Tradicionalmente, para ser salva pelo herói. Possui um papel secundário. Inclusive na pura literatura gótica, que ocorre em pleno processo de emancipação feminina, e cujas mais importantes autoras são mulheres.

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29 dezembro, 2013

O gótico na poesia de Baudelaire e na poesia de Augusto dos Anjos

O poeta Charles Baudelaire era um leitor de Edgar Allan Poe (escritor, poeta, crítico literário americano e um dos percursores da literatura de ficção científica, fantástica, moderna e gótica) e também tradutor de seus textos. Em sua obra, questiona o excesso de moral e sentimentalismo e se opõe à vida burguesa e às convenções da época. Em 1857 publica "Les Fleurs du Mal" (As Flores do Mal), que incorpora o grotesco (termo surgido no século XVI quando foram descobertas pinturas ornamentais em regiões da Itália; derivado do italiano La Grottesca ou Grottesco, advindos de grotta - gruta) à linguagem do romantismo. 
O brasileiro Augusto dos Anjos ficou conhecido como “poeta negro” devido ao choque que seus versos causavam. Ele se utilizou de um vocabulário científico-poético, sendo inspirado pelo cientificismo, evolucionismo permeado pelo simbolismo, gerando uma poesia com tons macabros e obsessivos que mostram a destruição e decomposição física e psicológica. Em 1912 publicou o seu livro "Eu", mas que não teve a repercussão esperada. Apenas na 3ª edição, sob o título de "Eu e outras poesias" que o poeta conseguiu ser bem aceito pelo o público. 
Tanto Baudelaire quanto Augusto dos Anjos utilizam em seus versos elementos góticos, fúnebres e repulsivos. São poesias carregadas que trazem o gosto pelo difícil e pela evasão capazes de unir elementos, até então, distantes do nosso pensamento.

O poema "Uma Carniça" (Une Charogne) de Baudelaire apresenta a união do grotesco com o sublime:

Recorda-te do objeto que vimos, ó Graça,
Por belo estio matinal,
Na curva do caminho uma infame carcaça
Num leito que era um carrascal!

Suas pernas para o ar, tal mulher luxuriosa,
Suando venenos e clarões,
Abriam de feição cínica e preguiçosa
O ventre todo exalações.

Resplandecia o sol sobre esta cousa impura
Por ver se a cozia bem
E ao cêntuplo volvia à grandiosa natura
O que ela em si sempre contém;

E o céu olhava do alto a carniça que assombra
Como uma flor desabrochar.
A fedentina era tão forte e sobre a alfombra
Creste que fosses desmaiar.

Moscas vinham zumbir sobre este ventre pútrido
Donde saíam batalhões
Negros de larvas a escorrer – espesso líquido
Ao largo dos vivos rasgões.

E tudo isto descia e subia, qual vaga,
Ou se atirava, cintilando;
E dir-se-ia que o corpo, inflado de aura vaga,
Vivia se multiplicando.

E este universo dava a mais estranha música,
Água a correr, brisa ligeira,
Ou grão que o joeirador com movimento rítmico
Vai agitando em sua joeira.

Apagava-se a forma e era coisa sonhada,
Um esboço lento a chegar,
E que o artista completa na tela olvidada
Somente por se recordar.

Uma cadela atrás do rochedo tão preto
Nos olhava de olhar irado
Para logo depois apanhar do esqueleto
O naco que havia deixado.

- E no entanto serás igual a esta torpeza,
Igual a esta hórrida infecção,
Tu, sol de meu olhar e minha natureza,
Tu, meu anjo e minha paixão.

Isso mesmo serás, rainha das graciosas,
Aos derradeiros sacramentos
Quando fores sob a erva e as florações carnosas
Mofar só entre os ossamentos.

Minha beleza, então dirás à bicharia,
Que há de roer-te o coração,
Que eu a forma guardei e a essência de harmonia
Do amor em decomposição.

No poema acima o poeta assume a postura do voyeur. O tema da morte é abordado de maneira mórbida, contemplado de imagens grotescas. Há a presença de dois extremos: a feiura do corpo em decomposição e a beleza da mulher, que acabou sendo comparada à carniça no sentido que esta beleza um dia será como a carniça. Esta aproximação não é de comum utilização na poesia lírica e tal fato resulta num estranhamento altamente perturbador que nos remete a conclusão que a finitude da vida seria bela. Há ainda uma mistura de sensações que compara a carniça com a mulher luxuriosa, como se o autor fosse seduzido pela visão macabra. O contraste do Belo e do Sublime se perpetua ao longo do poema. Nas três últimas estrofes se concentra a afirmação de que a beleza humana e feminina é finita e será absorvida pela Natureza. A carniça seria o destino final de qualquer ser e dele ninguém poderia fugir.

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